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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

É dela a sensação inédita (em fotos)



Ela acreditava que um dia seria possível. Aliás, ela mal e mal sabe distinguir o possível do impossível. Ela é apenas uma menina, uma ingênua menina... que está descobrindo (e precisando saber) o que é o verdadeiro poder do amor.



Ela engolia os sentimentos como se fossem demônios a incorporando. Ela queria intensidade, só intensidade... Sede de sentimentos inéditos, fome de sensações adversas, desejo por qualquer tipo de paixão. E, de tanto que buscou, ela desistiu.



Mas a vida, essa vida e seu destino que insistem pregar peças, resolveu a surpreender. Um beijo e um gosto mal lembrado foi o suficiente para que a instigasse. O almejo para conhecer melhor aquilo que ela não se recordava estava tomando sua alma por completo. Ela enlouqueceria se não pudesse repetir a cena, se não pudesse viver aquilo mais uma vez – nem que fosse somente uma vez, apesar de ela querer isso para o resto da vida.



Foi aí, então, que ela enlouqueceu. Não quis saber do tal do possível ou impossível, ela queria aquela sensação de novo, e se jogou. Foi de cabeça, de corpo e de alma.



Os olhos dela brilhavam. O coração palpitava aquela sensação inédita-que-não-era-inédita que ela sempre quis. Aos poucos o beijo e o gosto, que não passavam de um fio de lembrança na sua memória, foram se tornando um misto de sentimentos inexplicáveis.



Dentro dela foi composta uma poesia, uma canção, uma lenda, o início de uma história sem previsão de final. E a cada vez que ela sentia aquilo, mais e mais ela necessitava sentir.



E essa menina, essa ingênua menina, hoje desfruta das melhores sensações do mundo. Ela acreditava que um dia seria possível...

Amor ou demônio?

Do amor e outros demônios (Del amor y outros demonios) é um romance mágico do colombiano Gabriel Garcia Márquez, reconhecido por redigir histórias baseadas na sua vivência como jornalista. Neste livro, com publicação da Editora Record e tradução de Moacir Werneck, esta realidade não é diferente. Garcia Márquez relata a vida de uma marquesinha de doze anos e, paralelo à menina, trata temas polêmicos como o preconceito, a intolerância, os conflitos religiosos e o desprezo dos progenitores para com a filha. O livro foi inspirado por uma reportagem que o autor deveria fazer acerca da demolição do Convento Santa Clara. Ao chegar no local, teve acesso ao túmulo das freiras e em um deles encontrou o esqueleto de uma adolescente com uma enorme cabeleira. Tal fato o fez lembrar de uma lenda contada por sua avó, da marquesinha que tinha mais de vinte metros de cabelo, lenda esta que foi relatada no decorrer deste romance que chega à sua 6ª edição em 1995, recebendo o prêmio Nobel de Literatura.

Nessa fantástica obra-prima, Gabriel García Márquez sensibiliza seus leitores com a história da pequena Sierva Maria de Todos Los Angeles, menina que fora rejeitada pelos pais marqueses assim que nasceu. Sierva Maria foi criada pelos escravos africanos da casa e com eles aprendeu os costumes e a religião da África. No dia do seu décimo segundo aniversário, uma das escravas a levou até a feira, onde a menina foi mordida por um cão que estava com raiva. Ninguém se deu conta do perigo, até o dia em que uma cigana apareceu na casa do marquês e contou que a menina fora mordida. Mesmo não acreditando, o pai foi averiguar. Após um tempo, Sierva Maria apresentou sintomas da doença, deixando o pai totalmente culpado por não tê-la amado. Aí, então, o marquês passa a dar valor à filha, procurando ajudá-la de todas as formas, algumas não apoiadas pela Igreja. O bispo, tendo consciência do fato, chamou o marquês para uma conversa, e supôs que a menina estava em plena possessão demoníaca e que deveria ser imediatamente internada no convento. Lá, Sierva Maria foi internada na ala das enterradas vivas. No dia que fora ao convento, diversos fatos intrigantes ocorreram, reforçando a ideia de que a menina estava mesmo sob posse de demônios. O bispo convoca o padre Caeytano para ajudá-la e eles acabam se apaixonando. O romance puro, porém proibido, é delicadamente relatado até o final do livro, fazendo levantar um questionamento se a menina sofria de possessão de demônios ou se o seu problema era única e exclusivamente a escassez de amor.

É inevitável não lembrar dos contos de fadas ao ler este romance. Gabriel Garcia Márquez parece fazer uma analogia clara entre a menina Sieva Maria e a princesa Rapunzel, não somente pela longa cabeleira que ambas possuíam, mas também pela amabilidade escondida num rosto de donzela. Ambas tinham um “príncipe encantado” em suas vidas e, enquanto Rapunzel estendia suas longas tranças para seu amado escalar a torre, o padre Cayetano escalava heroicamente o muro para visitar sua amada e com ela trocar juras de amor eterno. As duas histórias distinguem-se no final, sendo o conto de fadas um final feliz e a história da menina e do padre um final trágico, porém lógico e extremamente racional e emocionante.

O amor do padre e da menina era o único demônio presente constantemente na obra. Demônio este que possuiu a alma de ambos, tornando-os dependentes daquele sentimento inédito. Gabriel Garcia Márquez foi totalmente feliz em construir esta história regada a lições, despertando em seus leitores sentimentos de cumplicidade para com a obra, esta que possui um final surpreendentemente incrível, fugindo de todos os clichês. Do Amor e Outros Demônios é para todos aqueles que buscam surpresas em palavras magicamente bem escritas.

Leiam, vocês vão amar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tamanho da saia ou tamanho da mente?

A essa altura do campeonato, todos devem ter ouvido, visto ou até mesmo presenciado o fato ocorrido com a universitária da Uniban. A jovem estudante de 20 anos foi completamente ridicularizada no dia 22 de outubro por ir à faculdade usando um vestido rosa, considerado muito curto pelos seus (fofíssimos) colegas. Num país onde somos reconhecidos pelo uso de biquínis que mal e mal escondem o que, na prática e teoria, não deveria ser mostrado, tal fato é, no mínimo, irônico. Engraçado mesmo, pois o vestido sequer tinha decote e o comprimento era suficiente, nada supostamente vulgar. Pelo menos não tanto assim para se chegar ao ponto de uma expulsão e de uma repercussão negativamente estrondosa. É completamente lastimável pensar que as pessoas, nesse caso ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS E NÃO DE COLEGIAIS PRIMÁRIOS, ainda julgam por aparências. E, diante disso tudo, eu me pergunto se o vestido era pequeno ou pequena era a mente dos que protestaram, hostilizaram e expulsaram a menina do seu direito de estudar. Direito este que, mais uma vez ironicamente, é para todos. Sem nenhum tipo de restrição.

Pauta para o site do Tudo de Blog 2009: Depois desse bafafá todo com a universitária da Uniban, fica a questão: o problema todo foi mesmo o tamanho da saia? De quem foi a culpa, no final das contas (Se é que houve culpados, claro!)?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

É dela a sensação inédita

Ela acreditava que um dia seria possível. Aliás, ela mal e mal sabe distinguir o possível do impossível. Ela é apenas uma menina, uma ingênua menina... que está descobrindo (e precisando saber) o que é o verdadeiro poder do amor. Ela engolia os sentimentos como se fossem demônios a incorporando. Ela queria intensidade, só intensidade... Sede de sentimentos inéditos, fome de sensações adversas, desejo por qualquer tipo de paixão. E, de tanto que buscou, ela desistiu. Mas a vida, essa vida e seu destino que insistem pregar peças, resolveu a surpreender. Um beijo e um gosto mal lembrado foi o suficiente para que a instigasse. O almejo para conhecer melhor aquilo que ela não se recordava estava tomando sua alma por completo. Ela enlouqueceria se não pudesse repetir a cena, se não pudesse viver aquilo mais uma vez – nem que fosse somente uma vez, apesar de ela querer isso para o resto da vida. Foi aí, então, que ela enlouqueceu. Não quis saber do tal do possível ou impossível, ela queria aquela sensação de novo, e se jogou. Foi de cabeça, de corpo e de alma. Os olhos dela brilhavam. O coração palpitava aquela sensação inédita-que-não-era-inédita que ela sempre quis. Aos poucos o beijo e o gosto, que não passavam de um fio de lembrança na sua memória, foram se tornando um misto de sentimentos inexplicáveis. Dentro dela foi composta uma poesia, uma canção, uma lenda, o início de uma história sem previsão de final. E a cada vez que ela sentia aquilo, mais e mais ela necessitava sentir. E essa menina, essa ingênua menina, hoje desfruta das melhores sensações do mundo. Ela acreditava que um dia seria possível...

mil perdões pela falta de atualização.
prometo não abandonar nem o blog e nem vocês!
beijss

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dom de hipnotizar

Eu não tinha a consciência do meu apego aos sentidos, e só passei a ter depois de diversos fatos corriqueiros que me fizeram perceber. É mágica a multiplicidade de sensações que ocorrem no meu eu lírico quando entro em contato com perfumes, cheiros, gostos, sabores... Um simples fechar de olhos e sentir o que paira no ar me faz viajar a lugares distantes, relembrando momentos, fatos e, principalmente, indivíduos. Sou totalmente dependente das fragrâncias e dos gostos. Preciso senti-los excessivamente e com uma imensa intensidade, para que qualquer mísero detalhe possa se impregnar em minha mente, para nunca mais sair. Sou tão obcecada e maluca, que sou capaz de sentir o cheiro hipnotizante no ar, ou até mesmo o gosto viciante na boca, sem quaisquer tipos de contatos físicos concretos. Ouso até afirmar que me apaixono mais pelos sentidos do que pelas pessoas que me proporcionam os mesmos. Sentidos são mais poéticos, são mais excitantes, são mais intensos e inexplicavelmente viciantes e hipnóticos. Ao menos para mim, uma idealizadora nata.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

vida louca...

Eu admiro a maneira com que a humanidade se porta em reclamar da loucura de suas vidas ao invés de simplesmente vivê-la, sem esperar por consequências imediatas.
Todos vivem se martirizando por um suposto auto-conhecimento que, muitas vezes, não nos leva a lugar algum, só acaba deixando a vida um tanto pouco sem graça.
Não sei quem foi que inventou que precisamos conhecer os nossos limites para sermos alguém feliz. Desculpe o inventor deste grandioso jeito de pensar, mas eu discordo plenamente. Viver com uma ânsia desconhecida é muito melhor que passar um período imenso da vida se auto-conhecendo. E eu digo o porquê: eu adoro o fato de saber que estou convivendo com uma alma desconhecida que pode me surpreender a cada momento, seja através de um gesto, de uma palavra, de uma simples ação. Eu não tenho vergonha de dizer que não me conheço, e tampouco tenho pressa para saber quem eu sou verdadeiramente. Eu pretendo deixar que o tempo responda aos meus questionamentos, sem queimar nenhuma etapa.
Quiçá seja isso que falta na vida de muitos: permitir-se, não viver com essa teimosa urgência. Creio que digo isso por acreditar em destino, por acreditar que simplesmente vivendo o presente (sem esse negócio de ser apressadinho) o futuro vem nos seus conformes, bem como ele deve ser.
E, sabe o quê? O bom de toda essa vida maluca é saber que os nossos limites às vezes nos surpreendem. O prazer da realidade cada um permite a si, seja da forma que ela for. A solução é se permitir, a solução é a intensidade, a solução é olhar pra trás e agradecer o que está por vir. Se a gente colhe o que planta, não há nada a temer. A vida, por mais previsível que pareça, continuará loucamente nos surpreendendo. Felizes aqueles que desconhecem seus limites, pois esses viverão perplexamente e com uma ânsia muito maior de viver.

domingo, 23 de agosto de 2009

Beleza é fundamental?

Num desses breves papos que iniciam a semana, lá estava eu dialogando com minha linda amiga que participou de um concurso de beleza. Seria um papo normal se eu não tivesse ficado absurdamente embasbacada em relação a um fato visivelmente ascendente na sociedade: fazer de tudo para criar uma beleza perfeita. Sim, exatamente isso... As pessoas não se contentam com o que tem, arrumam absurdos motivos para se acharem ridículas e fazem plásticas e diversas correções em si jogando as culpas na coitada da baixa auto-estima. Não sei quem foi que criou os padrões de beleza, mas, convenhamos, ô serzinho maldito! Chega a ser cômico pensar que vivemos no auge da era moderna e as pessoas ainda conseguem ter um pensamento pré-histórico onde se você não possuir um narizinho arrebitado, um corpinho sarado e afins, você não passa de um "protozoário" (e olha que fui gentil). Ok, até deixo você pensar que sou exagerada, até porque adoro hipérboles. Mas tenho um certo tipo de convicção para falar sobre isso, porque vivo num universo onde os defeitos são ligeiramente notados. E essa velocidade de percepção às vezes é tamanha que a pessoa vira paranóica e acaba enxergando seu defeito completamente embaralhado. Não vem ao caso achar os culpados para que isso ocorra, mas é muito comum ligar a televisão ou abrir as revistas e se deparar logo na primeira olhada com pessoas lindamente idealizadas. A mídia às vezes passa aos seus espectadores uma visão absurda de beleza e faz as mesmas viverem em constantes comparações. Tudo então parece ir por água a baixo quando você não tem o estereótipo do Gianecchini ou da Aline Moraes. Passar pelo espelho se torna um pesadelo e se você não emagrecer aqueles malditos cinco quilos sua vida vai virar um inferno!! É lastimável ver que o índice de plásticas só aumenta e está sendo feito cada vez mais cedo. Óbvio, algumas pessoas realmente precisam, caso a parte a ser corrigida seja verdadeiramente um incômodo. Só critico explicitamente as pessoas com quem a natureza foi gentil que ficam reclamando porque querem ser um molde da perfeição, quiçá ponderando que assim serão mais bem quistas aos olhos desse povo julgador. Discordando do verso do meu queridíssimo Vinicius de Moraes: "as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental", dar bola somente para aparências não passa de um sentimento abstrato e inseguro. É preciso se olhar no espelho, permitir-se enxergar o que você tem de melhor e valorizar isso tão delicadamente quanto uma mãe que paparica seu neném recém-nascido. A beleza natural é a coisa mais linda que existe, por mais que você se enxergue como o tal do protozoário. E, acima de tudo, valorize o seu amor próprio, antes que ele se una aos inúmeros amores-próprios que estão em disparate perdidos ao mundo. Afinal, se você não gostar de si próprio, será que alguém irá gostar? (claro, a não ser a sua avó, que lhe acha lindo em qualquer situação).

"Beleza atrai, conteúdo convence" :)